Osteoporose: como o treino de força protege os ossos
Uma em cada três mulheres acima dos 50 anos terá fratura por osteoporose. Veja o que o ensaio LIFTMOR e a revisão Cochrane mostram sobre treino de força.
Fabio Oliveira Santos
10/20/20265 min read


O treino de força com carga progressiva é uma das poucas intervenções sem medicamento com efeito medido sobre a densidade dos ossos na osteoporose e na osteopenia. No ensaio LIFTMOR, publicado no Journal of Bone and Mineral Research em 2018, mulheres na pós-menopausa que treinaram pesado sob supervisão ganharam 2,9% de densidade na coluna lombar em oito meses, enquanto o grupo de exercício leve perdeu 1,2%. O treino não substitui o tratamento médico, ele soma.
O que é osteoporose e por que ela avança em silêncio?
Osteoporose é a doença em que o osso perde densidade e qualidade até quebrar com facilidade. Ela não dói enquanto avança: em muitos casos, o primeiro sinal é a própria fratura.
A escala do problema é grande. Segundo a International Osteoporosis Foundation, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens acima dos 50 anos terão fraturas por osteoporose, e ocorrem até 37 milhões de fraturas por fragilidade por ano no mundo em pessoas acima dessa idade, o equivalente a 70 fraturas por minuto.
O diagnóstico é feito por densitometria óssea, um exame de imagem que compara a densidade do seu osso com a de um adulto jovem e devolve uma nota chamada T-score. É exame pedido por médico e é ele, não a balança nem o espelho, que diz onde você está.
Nas mulheres, a queda do estrogênio na menopausa acelera a perda óssea. É por isso que este artigo conversa diretamente com o conteúdo sobre treino de força na menopausa que mantemos no blog.
Por que o osso responde ao treino de força?
Porque osso é tecido vivo, em reforma permanente. Quando o músculo traciona e a carga comprime, as células ósseas percebem a deformação e disparam a construção de osso novo no ponto exigido, um processo chamado mecanotransdução.
Pense numa ponte cujo próprio concreto se reforça nos trechos onde passam mais caminhões. É aproximadamente isso que o esqueleto faz: adapta a estrutura à demanda. Sem demanda, a reforma vira só demolição e a densidade cai ano após ano depois da menopausa.
Por isso a carga importa. Estímulos muito leves ficam abaixo do limiar que o osso reconhece como ordem de construção. É o que os números dos estudos mostram a seguir.
O que o ensaio LIFTMOR mostrou?
Que treino de força pesado e supervisionado melhorou a densidade óssea de mulheres com osso já fragilizado, com segurança, dentro das condições do estudo.
O LIFTMOR (Watson e colegas, Journal of Bone and Mineral Research, 2018) acompanhou 101 mulheres na pós-menopausa com densidade óssea baixa, idade média de 65 anos. Metade fez, por oito meses, duas sessões semanais de 30 minutos com levantamento terra, agachamento e desenvolvimento acima de 85% de 1RM, a carga máxima que a pessoa levanta uma única vez, sempre supervisionadas, em grupos de até oito por instrutora. A outra metade fez em casa um programa leve, abaixo de 60% de 1RM.
O resultado, em números:
Coluna lombar: +2,9% de densidade no grupo de treino pesado, contra −1,2% no grupo leve.
Colo do fêmur: +0,3% contra −1,9%.
Força de membros inferiores: +37,1% no grupo de treino pesado.
Segurança: um único evento adverso, um espasmo lombar leve, em mais de 2.600 sessões.
