Pilates ajuda a correr melhor? O que diz o estudo brasileiro

Um ensaio brasileiro mediu o efeito de 12 semanas de Mat Pilates no tempo de 5 km. Veja os números, os limites do estudo e como testar na sua planilha.

Fabio Oliveira Santos

9/23/20264 min read

Corredora em exercício para fortalecimento do core em estúdio em Santos
Corredora em exercício para fortalecimento do core em estúdio em Santos
Um ensaio clínico brasileiro sugere que sim. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em estudo publicado na PLOS ONE (2018), acompanharam corredores recreacionais treinados por 12 semanas: quem somou duas sessões semanais de Mat Pilates à rotina de corrida melhorou o tempo dos 5 km significativamente mais que o grupo que só correu. A explicação está na economia de corrida, gastar menos energia para sustentar o mesmo ritmo. É um único estudo, mas bem desenhado e com resultado expressivo.

O que o estudo brasileiro mediu e o que encontrou?

Tempo de prova e custo de energia, e os dois melhoraram no grupo do Pilates.

No ensaio de Finatto e colegas (UFRGS, publicado na PLOS ONE em 2018), 32 corredores recreacionais treinados foram divididos em dois grupos: ambos mantiveram o treino de corrida, e um deles acrescentou duas sessões semanais de uma hora de Mat Pilates, em dias alternados aos da corrida, por 12 semanas.

O resultado nos 5 km: o grupo do Pilates saiu de 25,65 para 23,23 minutos em média, cerca de 2 minutos e 25 segundos a menos, enquanto o grupo controle foi de 25,33 para 24,61 minutos, uma melhora de 43 segundos. A diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa.

O estudo também mediu o custo metabólico da corrida a 12 km/h: 4,33 joules por quilo por metro no grupo do Pilates contra 4,71 no controle, ou seja, o corredor do Pilates passou a gastar menos energia para sustentar a mesma velocidade.
O que é economia de corrida?

É o consumo de energia para manter um ritmo, o "quilômetros por litro" do corredor.

Dois corredores com o mesmo fôlego podem ter tempos muito diferentes se um deles desperdiça energia em cada passada: tronco que desaba, quadril que cai, braços que cruzam o corpo. Cada vazamento desses custa energia que não vira velocidade.

É aí que entra a hipótese do Pilates: o método treina o controle do tronco e da pelve, a plataforma de onde as pernas empurram o chão. Plataforma estável, empurrão mais eficiente. No estudo da UFRGS, a melhora do custo metabólico veio acompanhada de mudanças na ativação muscular, o que é coerente com essa explicação.

Pilates substitui o treino de força do corredor?

Não, e o próprio desenho do estudo ajuda a entender por quê.

No ensaio, o Pilates foi um acréscimo à rotina de corrida, não um substituto de nada. E um único estudo, com 32 participantes, em corredores recreacionais, não autoriza generalização para todo perfil, de iniciantes a maratonistas de elite. É um resultado promissor, não uma lei.

Vale lembrar também o quadro geral: as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (2020) recomendam fortalecimento muscular ao menos 2 vezes por semana para todos os adultos, corredores incluídos. O trabalho de força segue sendo a base; o Pilates soma controle, mobilidade e consciência de tronco por cima dessa base.
Como encaixar o Pilates na semana de quem corre?

O protocolo do estudo é um bom ponto de partida, simples e replicável.

1. Frequência do ensaio: 2 sessões semanais de Mat Pilates, de uma hora.
2. Posição na semana: em dias alternados aos da corrida, foi assim no estudo, preservando a recuperação.
3. Prazo de avaliação: 12 semanas antes de julgar o efeito, o tempo do protocolo.
4. Teste objetivo: cronometre seus 5 km antes de começar e repita o percurso ao final. Na orla de Santos, o percurso plano e medido facilita a comparação.

Quem está começando a correr agora, ou tem dor ou lesão em atividade, deve passar por avaliação profissional antes de montar essa combinação.

A visão da Trend

Corredor da orla é figura constante nas nossas unidades em Santos, e o padrão que mais vemos é o atleta que corre muito e sustenta pouco: quilometragem alta, tronco fraco, dor aparecendo a cada aumento de volume. Quando esse corredor começa o trabalho de força e controle, a passada muda antes do fôlego.

No Personal Training Compartilhado, com até 4 clientes por Personal, o corredor treina força individualizada sem abrir mão do grupo, e o Mat Pilates está disponível dentro do Training Group, nossas turmas de 10 a 12 pessoas. Se você corre na orla e quer testar o que o estudo mediu, agende uma avaliação em uma das nossas unidades.

Perguntas frequentes

Quantas vezes por semana fazer Pilates para melhorar na corrida?

No ensaio brasileiro da PLOS ONE, o protocolo foi de 2 sessões semanais de uma hora, em dias alternados aos da corrida, por 12 semanas. É referência de partida, não prescrição universal, a dose certa para o seu caso sai de uma avaliação profissional.
Pilates previne lesão de corrida?

O estudo da UFRGS não mediu lesões, mediu desempenho e custo metabólico. Afirmar prevenção de lesão seria extrapolar o dado. O que se pode dizer: o método fortalece o controle de tronco e pelve, qualidades associadas à mecânica de corrida mais eficiente no próprio ensaio.
Mat Pilates ou aparelho para corredores?

O estudo que mediu efeito na corrida usou Mat Pilates, solo, com o peso do corpo. Não há comparação equivalente com aparelho nesse desfecho. Para o corredor, o solo tem vantagem prática: depois de aprendido, cabe em casa, na viagem e na pré-prova.
Posso fazer Pilates no mesmo dia da corrida?

No protocolo do ensaio, as sessões ficaram em dias alternados aos da corrida, e essa organização preserva a recuperação entre estímulos. Se a agenda só permite o mesmo dia, a distribuição de intensidade deve ser ajustada por um profissional.
Por onde começar hoje

Cronometre seus 5 km nesta semana, na orla, se você é de Santos, o percurso já está medido. Guarde o tempo. Ele é a sua linha de base: qualquer mudança de treino que você fizer daqui para frente, incluindo somar o Pilates, será julgada por esse número daqui a 12 semanas, não por impressão.