Um ensaio clínico brasileiro sugere que sim. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em estudo publicado na PLOS ONE (2018), acompanharam corredores recreacionais treinados por 12 semanas: quem somou duas sessões semanais de Mat Pilates à rotina de corrida melhorou o tempo dos 5 km significativamente mais que o grupo que só correu. A explicação está na economia de corrida, gastar menos energia para sustentar o mesmo ritmo. É um único estudo, mas bem desenhado e com resultado expressivo.
O que o estudo brasileiro mediu e o que encontrou?
Tempo de prova e custo de energia, e os dois melhoraram no grupo do Pilates.
No ensaio de Finatto e colegas (UFRGS, publicado na PLOS ONE em 2018), 32 corredores recreacionais treinados foram divididos em dois grupos: ambos mantiveram o treino de corrida, e um deles acrescentou duas sessões semanais de uma hora de Mat Pilates, em dias alternados aos da corrida, por 12 semanas.
O resultado nos 5 km: o grupo do Pilates saiu de 25,65 para 23,23 minutos em média, cerca de 2 minutos e 25 segundos a menos, enquanto o grupo controle foi de 25,33 para 24,61 minutos, uma melhora de 43 segundos. A diferença entre os grupos foi estatisticamente significativa.
O estudo também mediu o custo metabólico da corrida a 12 km/h: 4,33 joules por quilo por metro no grupo do Pilates contra 4,71 no controle, ou seja, o corredor do Pilates passou a gastar menos energia para sustentar a mesma velocidade.
O que é economia de corrida?
É o consumo de energia para manter um ritmo, o "quilômetros por litro" do corredor.
Dois corredores com o mesmo fôlego podem ter tempos muito diferentes se um deles desperdiça energia em cada passada: tronco que desaba, quadril que cai, braços que cruzam o corpo. Cada vazamento desses custa energia que não vira velocidade.
É aí que entra a hipótese do Pilates: o método treina o controle do tronco e da pelve, a plataforma de onde as pernas empurram o chão. Plataforma estável, empurrão mais eficiente. No estudo da UFRGS, a melhora do custo metabólico veio acompanhada de mudanças na ativação muscular, o que é coerente com essa explicação.
Pilates substitui o treino de força do corredor?
Não, e o próprio desenho do estudo ajuda a entender por quê.
No ensaio, o Pilates foi um acréscimo à rotina de corrida, não um substituto de nada. E um único estudo, com 32 participantes, em corredores recreacionais, não autoriza generalização para todo perfil, de iniciantes a maratonistas de elite. É um resultado promissor, não uma lei.
Vale lembrar também o quadro geral: as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (2020) recomendam fortalecimento muscular ao menos 2 vezes por semana para todos os adultos, corredores incluídos. O trabalho de força segue sendo a base; o Pilates soma controle, mobilidade e consciência de tronco por cima dessa base.
Como encaixar o Pilates na semana de quem corre?
O protocolo do estudo é um bom ponto de partida, simples e replicável.
1. Frequência do ensaio: 2 sessões semanais de Mat Pilates, de uma hora.
2. Posição na semana: em dias alternados aos da corrida, foi assim no estudo, preservando a recuperação.
3. Prazo de avaliação: 12 semanas antes de julgar o efeito, o tempo do protocolo.
4. Teste objetivo: cronometre seus 5 km antes de começar e repita o percurso ao final. Na orla de Santos, o percurso plano e medido facilita a comparação.
Quem está começando a correr agora, ou tem dor ou lesão em atividade, deve passar por avaliação profissional antes de montar essa combinação.
A visão da Trend
Corredor da orla é figura constante nas nossas unidades em Santos, e o padrão que mais vemos é o atleta que corre muito e sustenta pouco: quilometragem alta, tronco fraco, dor aparecendo a cada aumento de volume. Quando esse corredor começa o trabalho de força e controle, a passada muda antes do fôlego.
No Personal Training Compartilhado, com até 4 clientes por Personal, o corredor treina força individualizada sem abrir mão do grupo, e o Mat Pilates está disponível dentro do Training Group, nossas turmas de 10 a 12 pessoas. Se você corre na orla e quer testar o que o estudo mediu, agende uma avaliação em uma das nossas unidades.