Pilates cresce no Brasil: o que explica o fenômeno

Pilates é a segunda atividade mais procurada por quem começa a treinar no Brasil. Veja os números, o que puxou a alta e o que isso muda em Santos.

Eduarda Stasiak

8/18/20266 min read

Turma de Mat Pilates em aula de Training Group em estúdio na Ponta da Praia, em Santos
Turma de Mat Pilates em aula de Training Group em estúdio na Ponta da Praia, em Santos

O que está acontecendo fora do Brasil?

Na América do Norte, o movimento é mais avançado e mais bem medido. Um levantamento de uma plataforma de gestão de estúdios publicado em janeiro de 2026 aponta que a proporção de estúdios que oferecem Pilates saiu de 17% em 2021 para 45% em 2025, e que as aulas de Pilates rodam com ocupação média superior à média geral das modalidades.
O mesmo levantamento traz um dado que contraria a imagem que o Brasil tem do Pilates: lá, a idade média de quem pratica é 32 anos, e uma fatia grande do público é da geração Z.

Registro a ressalva com todas as letras: esse dado é da América do Norte e não se transpõe para cá. Não encontrei recorte equivalente para o Brasil. Se o público brasileiro do Pilates está rejuvenescendo no mesmo ritmo, ninguém mediu e eu não vou inventar.
O que dá para dizer é que o padrão internacional costuma chegar aqui com atraso de alguns anos. Se isso se confirmar, a sala de Pilates brasileira de 2029 vai ser mais jovem do que a de hoje.

O que isso muda para quem treina em Santos?

Muda a oferta e muda o critério de escolha.
Quando uma modalidade cresce rápido, aparece muita opção nova ao mesmo tempo e a qualidade média cai antes de subir. É o que acontece em todo setor em expansão acelerada. Para quem está escolhendo onde começar, isso significa que as perguntas mudam: deixa de ser "onde tem Pilates perto de casa" e passa a ser quem vai olhar para mim durante a aula".
Eu vim do balé clássico. Passei anos em uma sala onde a correção era constante e o erro era caro. Quando parei de dançar e fui procurar como me exercitar, a coisa que mais senti falta não foi a intensidade, foi alguém olhando. Achei isso no Personal Compartilhado, e é por isso que escrevo sobre esse mercado de dentro dele.

O crescimento do Pilates no Brasil é uma boa notícia. Ele leva movimento controlado e supervisão para gente que nunca treinou. Mas ele só entrega isso de verdade quando o número de pessoas por profissional permite que a supervisão exista.

A visão da Trend

Na prática, o que a gente vê nas unidades da Ponta da Praia e do Gonzaga é a chegada de um público que não estava no radar de academia até dois anos atrás: pessoa que nunca pisou em sala de treino, que veio por indicação médica ou por curiosidade, e que escolhe começar pelo movimento controlado antes de encarar o peso.
Na Trend, o Mat Pilates está dentro do Training Group, o formato de turma de 10 a 12 pessoas que também abriga o Funcional. E quem quer acompanhamento mais próximo entra no Personal Training Compartilhado, com até 4 clientes por Personal. São dois caminhos diferentes, para dois momentos diferentes e a conversa da avaliação existe justamente para descobrir qual é o seu.
Se quiser conhecer o espaço antes de decidir, é só marcar uma visita.
Porque três movimentos aconteceram ao mesmo tempo: a população brasileira envelheceu e passou a procurar exercício de baixo impacto com supervisão, o modelo de estúdio pequeno se espalhou pelo país, e a indicação médica virou porta de entrada de massa. O resultado aparece no dado: entre quem faz o primeiro check-in de todos em uma academia ou estúdio, o Pilates já é a segunda atividade mais escolhida no Brasil, atrás apenas da musculação.

Quanto o Pilates cresceu, de fato?
O relatório anual da Wellhub divulgado em dezembro de 2025 traz o recorte mais direto disponível: entre usuários novos, a primeira atividade escolhida foi musculação em 33% dos casos e Pilates em 29%. No mesmo relatório, o Pilates aparece com crescimento de 67% em um ano, atrás de ciclismo e yoga.
Esse é o dado de quem está começando, e é o que mais importa para entender um fenômeno de entrada. Não é gente que já treinava e mudou de modalidade. É gente que nunca treinou e escolheu começar por aqui.
Há um segundo número que circulou muito na imprensa brasileira em 2025: alta de 277,6% nos check-ins em aulas de Pilates entre 2019 e 2024, o que colocaria a modalidade como a segunda mais praticada no país. Ele é atribuído à mesma plataforma e foi reproduzido por veículos de grande circulação, vale registrar com honestidade: não localizamos o comunicado original com esse recorte específico, então ele entra aqui como dado reportado pela imprensa, não como número de primeira mão.

O que puxou esse crescimento?

Quatro forças, e nenhuma delas sozinha explicaria o tamanho do movimento.
A primeira é demográfica. O Brasil envelheceu, e envelhecer muda o tipo de exercício que se procura. Movimento controlado, de baixo impacto e com alguém olhando deixou de ser preferência e virou requisito para uma faixa grande da população.

A segunda é o modelo de negócio. O estúdio pequeno se espalhou. Segundo o Panorama Setorial do Fitness Brasil, o número de empresas do setor no país saiu de 22.581 registros em 2015 para 62.718 em 2025, com projeção de ultrapassar 70 mil até 2027. Não é só academia grande abrindo unidade: é a multiplicação de operações pequenas, e o Pilates é uma modalidade que cabe bem em metragem reduzida.

A terceira é a indicação médica. Essa é a mais silenciosa e provavelmente a mais poderosa. Uma parte grande de quem entra em um estúdio de Pilates não chegou lá por decisão própria: chegou com uma orientação de consultório na cabeça.

A quarta é cultural, e é a que eu conheço de perto. O Pilates chegou às redes sociais com uma estética que outras modalidades não têm: movimento bonito de assistir, ambiente organizado, silêncio. Isso circula. E circular é meio caminho para virar procura.

Isso é moda passageira ou é tendência?

A resposta mais honesta é: os indicadores que existem apontam para tendência, mas nenhum deles prova durabilidade.
O American College of Sports Medicine, que publica anualmente a pesquisa mais acompanhada de tendências mundiais de fitness, colocou "Balance, Flow and Core Strength" - categoria em que o Pilates é citado nominalmente, como a quinta tendência de 2026. A pesquisa ouve milhares de profissionais do setor no mundo todo.
Uma tendência que entra no top 5 da lista da ACSM raramente é fogo de palha. Mas vale lembrar o que essa lista é: uma medida do que profissionais do setor estão vendo e prevendo, não uma medida de comportamento do consumidor final.

Perguntas frequentes:

O Pilates é a modalidade que mais cresce no Brasil?

Nos dados de plataforma disponíveis, ele aparece como a segunda atividade mais escolhida por quem faz o primeiro check-in, atrás da musculação, e com crescimento anual de 67%. Ciclismo e yoga cresceram mais em percentual no mesmo período. Então: cresce muito, mas não é o maior crescimento percentual.
Pilates é coisa de mulher?

Não tecnicamente. O método foi criado por um homem para preparo físico geral. A associação com público feminino é cultural e, nos dados norte-americanos, está mudando. No Brasil, não existe medição pública desse recorte.
Vale a pena começar agora ou esperar a moda passar?

Do ponto de vista de mercado, a expansão acelerada significa mais opção e mais variação de qualidade ao mesmo tempo. Isso favorece quem pesquisa antes de fechar. Do ponto de vista de treino, quem decide o que é adequado para você é um profissional na avaliação, não o calendário.
Por que tanta gente é indicada por médico para o Pilates?

Porque as diretrizes de tratamento de dor lombar recomendam exercício como primeira linha, e o Pilates virou o nome popular dessa recomendação no Brasil. A indicação, na maioria das vezes, é de exercício supervisionado e o método é um dos caminhos possíveis.

Por onde começar hoje

Se você está escolhendo onde fazer Pilates, faça uma pergunta na visita antes de qualquer outra: quantas pessoas ficam na sala por profissional. Não é uma pergunta sobre preço nem sobre estrutura, é a pergunta que define se vai ter alguém olhando para você. E ela custa dez segundos.


Autora: Duda Stasiak, responsável por Marketing, eventos e redes sociais da Trend The Wellness Club. Estudante de Relações Públicas e ex-bailarina clássica. Acompanha o que acontece no mercado global de fitness e wellness, da Europa à América Latina. Revisão técnica: Fabio Oliveira, General Manager e responsável técnico da Trend The Wellness Club — CREF 122288-G/SP

Fontes

  1. Wellhub. A look back at employee wellbeing in 2025 — relatório anual. Wellhub, dezembro de 2025. https://wellhub.com/en-us/blog/press-releases/a-look-back-at-employee-wellbeing-2025/
  2. American College of Sports Medicine. Top Fitness Trends for 2026. ACSM, outubro de 2025. https://acsm.org/top-fitness-trends-2026/
  3. Fitness Brasil. Panorama Setorial do Fitness, 4ª edição, 2026.
  4. Repórter Diário. Pilates cresce quase 300% e assume 2º lugar entre atividades físicas no Brasil, 05/10/2025. https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3710243/pilates-cresce-quase-300-e-assume-2o-lugar-entre-atividades-fisicas-no-brasil/
  5. Mariana Tek. 2026 Pilates Trends Report, janeiro de 2026. https://www.marianatek.com/resources/ebook-2026-pilates-trends-report/