Não existe número oficial: nenhuma norma brasileira define quantos clientes um Personal pode atender ao mesmo tempo. O que existe é evidência sobre a razão de supervisão. No estudo de Gentil e Bottaro, publicado no Journal of Strength and Conditioning Research em 2010, quem treinou com um professor para cada cinco participantes ganhou 15,9% de força no supino em onze semanas, contra 10,22% de quem treinou com um professor para cada vinte e cinco. Na Trend, o limite é de até quatro clientes por Personal.
Quantos clientes por Personal a pesquisa já testou?
Testou duas: um para cinco e um para vinte e cinco. A diferença apareceu na força.
O estudo de Paulo Gentil e Martim Bottaro, de 2010, acompanhou 124 homens jovens não treinados, 62 por grupo, por onze semanas, com o mesmo programa de treino resistido. A única variável foi a razão professor por participante.
No teste de uma repetição máxima no supino, a carga máxima que a pessoa levanta uma única vez, a alta supervisão rendeu 15,9%, contra 10,22% da baixa (p<0,05). No torque dos extensores do joelho, 11,8% com significância, contra 1,4% sem significância. Segundo os autores, a supervisão levou mais gente a treinar em intensidade máxima.
O limite: homens jovens não treinados, onze semanas, estudo único e sem cegamento. Não transponha esses percentuais para uma mulher de 45 anos voltando a treinar.
Supervisão direta muda mesmo o resultado?
Muda, e não é achado de um estudo só. A síntese mais ampla encontra efeito moderado a favor da supervisão para força.
A revisão sistemática com meta-análise de Fisher e colegas, no International Journal of Strength and Conditioning de 2022, reuniu 12 estudos, com 301 pessoas sob supervisão e 276 sem. Para força, o efeito foi de 0,40 (intervalo de 95% entre 0,06 e 0,74); para composição corporal, trivial. Os próprios autores classificam a revisão como exploratória.
Mazzetti e colegas, na Medicine and Science in Sports and Exercise de 2000, chegaram ao mesmo lugar com 20 homens moderadamente treinados: força maior no grupo supervisionado (quadro abaixo).
Na prática, supervisionar é fazer quatro coisas:
1. Corrigir a execução no momento em que ela desanda.
2. Ajustar a carga dentro da série.
3. Registrar o que aconteceu na sessão.
4. Decidir a progressão por esse registro, não por um plano impresso.
Nada disso é possível com vinte e cinco pessoas por professor.
O programa individualizado pesa mais que o número de pessoas na sala?
As duas pesam, e a individualização tem o dado mais impressionante do conjunto, em outro desfecho.
O ensaio randomizado duplo-cego de Weatherwax, Nelson e Dalleck, no Journal of Sports Science and Medicine de 2024, acompanhou 109 pessoas de 49,3 anos em média, 51,4% mulheres, por 13 semanas. Um grupo recebeu programa personalizado por limiares ventilatórios, pontos medidos na respiração que marcam a mudança de intensidade do esforço. O outro, programa padronizado por reserva de frequência cardíaca.
Respondedores: 76,4% no personalizado, contra 20,8% no padronizado. Melhora de 10% ou mais no VO2 máximo: 89,2% contra 32,4%.
O limite é explícito: o desfecho é aptidão cardiorrespiratória, não força nem composição corporal. O que ele mostra é que estímulo igual para todos gera resposta em poucos.
Treinar em grupo pequeno é melhor do que treinar sozinho?
A evidência não sustenta isso. É a frase que separa este texto do discurso comercial do setor.
A meta-análise de Kritz e colegas, publicada na Nature Human Behaviour em 15 de abril de 2026, comparou formatos individual e em grupo em 71 estudos e 523 tamanhos de efeito. Para atividade física, com 22.042 participantes nesse recorte, a diferença foi de 0,086 (intervalo de 95% entre −0,061 e 0,233; p=0,249): não significativa. Em desfechos psicossociais, também não. A única vantagem significativa do grupo apareceu em desfechos funcionais, após remoção de valores atípicos: 0,164 (p=0,015). Pequena, e real.
Traduzindo: o grupo, por si só, não é o ingrediente ativo. O que é: quantas pessoas o profissional supervisiona e o quanto o programa é ajustado a cada uma.
Há um retrato brasileiro do formato: a coorte de da Silva e colegas (*Frontiers in Public Health*, 2026) seguiu 587 participantes de um estúdio de São Paulo limitado a cinco por sessão e registrou permanência média de 13,8 meses em sete anos. Sem grupo controle: descreve o modelo, não compara com academia convencional.
Por que ninguém sabe quantos estúdios existem no Brasil?
Porque a categoria não existe formalmente. Nenhuma base separa estúdio de academia no país.
O CNAE 9313-1/00, "Atividades de condicionamento físico", agrupa no mesmo código a academia de bairro, o estúdio, o box e o personal trainer autônomo, a nota do IBGE inclui "atividades de instrutores de educação física, inclusive individuais (personal trainers)". A Resolução CONFEF nº 477/2023 também não define nem diferencia "academia", "estúdio" ou "centro de treinamento".
Daí saem duas consequências. Qualquer número sobre quantos estúdios existem no Brasil é estimativa, não estatística. E, como o rótulo não é regulado, "estúdio" na fachada não garante nada sobre a razão de supervisão lá dentro.
A visão da Trend
O que mais vemos nas unidades da Ponta da Praia e do Gonzaga é gente que treinou por anos e não sabe dizer que carga usou no mês passado. Não é falta de esforço: ninguém registrou.
No Personal Training Compartilhado, com até quatro clientes por Personal, cada sessão tem registro de carga, de repetições e de como o corpo respondeu, e a progressão da semana seguinte sai daí. É isso que muda no grupo pequeno, não o grupo em si: a meta-análise de Kritz e colegas, de 2026, não achou diferença significativa entre grupo e individual para atividade física. Nas turmas de Training Group, de 10 a 12 pessoas, a lógica é outra. Para saber qual faz sentido no seu caso, agende uma avaliação em uma das nossas unidades.