Quantos clientes por Personal? O que muda no resultado

Nenhuma norma brasileira define quantos clientes um Personal atende. A evidência define: a razão de supervisão muda o ganho de força. Veja os números.

Fabio Oliveira Santos

10/12/20266 min read

Não existe número oficial: nenhuma norma brasileira define quantos clientes um Personal pode atender ao mesmo tempo. O que existe é evidência sobre a razão de supervisão. No estudo de Gentil e Bottaro, publicado no Journal of Strength and Conditioning Research em 2010, quem treinou com um professor para cada cinco participantes ganhou 15,9% de força no supino em onze semanas, contra 10,22% de quem treinou com um professor para cada vinte e cinco. Na Trend, o limite é de até quatro clientes por Personal.

Quantos clientes por Personal a pesquisa já testou?

Testou duas: um para cinco e um para vinte e cinco. A diferença apareceu na força.

O estudo de Paulo Gentil e Martim Bottaro, de 2010, acompanhou 124 homens jovens não treinados, 62 por grupo, por onze semanas, com o mesmo programa de treino resistido. A única variável foi a razão professor por participante.

No teste de uma repetição máxima no supino, a carga máxima que a pessoa levanta uma única vez, a alta supervisão rendeu 15,9%, contra 10,22% da baixa (p<0,05). No torque dos extensores do joelho, 11,8% com significância, contra 1,4% sem significância. Segundo os autores, a supervisão levou mais gente a treinar em intensidade máxima.

O limite: homens jovens não treinados, onze semanas, estudo único e sem cegamento. Não transponha esses percentuais para uma mulher de 45 anos voltando a treinar.
Supervisão direta muda mesmo o resultado?

Muda, e não é achado de um estudo só. A síntese mais ampla encontra efeito moderado a favor da supervisão para força.
A revisão sistemática com meta-análise de Fisher e colegas, no International Journal of Strength and Conditioning de 2022, reuniu 12 estudos, com 301 pessoas sob supervisão e 276 sem. Para força, o efeito foi de 0,40 (intervalo de 95% entre 0,06 e 0,74); para composição corporal, trivial. Os próprios autores classificam a revisão como exploratória.
Mazzetti e colegas, na Medicine and Science in Sports and Exercise de 2000, chegaram ao mesmo lugar com 20 homens moderadamente treinados: força maior no grupo supervisionado (quadro abaixo).

Na prática, supervisionar é fazer quatro coisas:
1. Corrigir a execução no momento em que ela desanda.
2. Ajustar a carga dentro da série.
3. Registrar o que aconteceu na sessão.
4. Decidir a progressão por esse registro, não por um plano impresso.

Nada disso é possível com vinte e cinco pessoas por professor.

O programa individualizado pesa mais que o número de pessoas na sala?

As duas pesam, e a individualização tem o dado mais impressionante do conjunto, em outro desfecho.

O ensaio randomizado duplo-cego de Weatherwax, Nelson e Dalleck, no Journal of Sports Science and Medicine de 2024, acompanhou 109 pessoas de 49,3 anos em média, 51,4% mulheres, por 13 semanas. Um grupo recebeu programa personalizado por limiares ventilatórios, pontos medidos na respiração que marcam a mudança de intensidade do esforço. O outro, programa padronizado por reserva de frequência cardíaca.
Respondedores: 76,4% no personalizado, contra 20,8% no padronizado. Melhora de 10% ou mais no VO2 máximo: 89,2% contra 32,4%.

O limite é explícito: o desfecho é aptidão cardiorrespiratória, não força nem composição corporal. O que ele mostra é que estímulo igual para todos gera resposta em poucos.
Treinar em grupo pequeno é melhor do que treinar sozinho?

A evidência não sustenta isso. É a frase que separa este texto do discurso comercial do setor.

A meta-análise de Kritz e colegas, publicada na Nature Human Behaviour em 15 de abril de 2026, comparou formatos individual e em grupo em 71 estudos e 523 tamanhos de efeito. Para atividade física, com 22.042 participantes nesse recorte, a diferença foi de 0,086 (intervalo de 95% entre −0,061 e 0,233; p=0,249): não significativa. Em desfechos psicossociais, também não. A única vantagem significativa do grupo apareceu em desfechos funcionais, após remoção de valores atípicos: 0,164 (p=0,015). Pequena, e real.
Traduzindo: o grupo, por si só, não é o ingrediente ativo. O que é: quantas pessoas o profissional supervisiona e o quanto o programa é ajustado a cada uma.

Há um retrato brasileiro do formato: a coorte de da Silva e colegas (*Frontiers in Public Health*, 2026) seguiu 587 participantes de um estúdio de São Paulo limitado a cinco por sessão e registrou permanência média de 13,8 meses em sete anos. Sem grupo controle: descreve o modelo, não compara com academia convencional.

Por que ninguém sabe quantos estúdios existem no Brasil?

Porque a categoria não existe formalmente. Nenhuma base separa estúdio de academia no país.

O CNAE 9313-1/00, "Atividades de condicionamento físico", agrupa no mesmo código a academia de bairro, o estúdio, o box e o personal trainer autônomo, a nota do IBGE inclui "atividades de instrutores de educação física, inclusive individuais (personal trainers)". A Resolução CONFEF nº 477/2023 também não define nem diferencia "academia", "estúdio" ou "centro de treinamento".

Daí saem duas consequências. Qualquer número sobre quantos estúdios existem no Brasil é estimativa, não estatística. E, como o rótulo não é regulado, "estúdio" na fachada não garante nada sobre a razão de supervisão lá dentro.

A visão da Trend

O que mais vemos nas unidades da Ponta da Praia e do Gonzaga é gente que treinou por anos e não sabe dizer que carga usou no mês passado. Não é falta de esforço: ninguém registrou.

No Personal Training Compartilhado, com até quatro clientes por Personal, cada sessão tem registro de carga, de repetições e de como o corpo respondeu, e a progressão da semana seguinte sai daí. É isso que muda no grupo pequeno, não o grupo em si: a meta-análise de Kritz e colegas, de 2026, não achou diferença significativa entre grupo e individual para atividade física. Nas turmas de Training Group, de 10 a 12 pessoas, a lógica é outra. Para saber qual faz sentido no seu caso, agende uma avaliação em uma das nossas unidades.

Perguntas frequentes

Existe um número máximo de clientes por professor na lei brasileira?

Não. A Resolução CONFEF nº 477/2023 obriga registro da pessoa jurídica e responsável técnico Profissional de Educação Física, mas não estabelece razão de supervisão. Esse limite é decisão de cada operação. Na Trend, o Personal Training Compartilhado trabalha com até quatro clientes por Personal.
Um professor para cinco pessoas dá resultado melhor do que um para vinte e cinco?

No estudo de Gentil e Bottaro, de 2010, sim: 15,9% contra 10,22% de ganho de força no supino em onze semanas. A amostra era de 124 homens jovens não treinados, então o número não se transporta para outros perfis. A direção do efeito importa.
Treinar acompanhado motiva mais e por isso funciona melhor?

A meta-análise de Kritz e colegas, na Nature Human Behaviour de 2026, com 71 estudos, não encontrou diferença significativa entre formato individual e em grupo para atividade física. O que a evidência sustenta é outra coisa: razão de supervisão e individualização mudam o resultado.
Como sei quantos clientes o Personal atende no meu horário?

Perguntando antes de fechar, e pelo horário em que você vai treinar, não pela média da semana. Como não existe categoria formal de estúdio no Brasil, o nome na fachada não responde isso. A resposta útil é um número com dia e horário.
Por onde começar hoje

Se você já treina: procure o registro das suas últimas quatro sessões. Se ele não existir, esse é o ponto que a supervisão resolve e a primeira coisa a cobrar.

Se está escolhendo onde começar: leve uma pergunta para a visita, "quantas pessoas o professor acompanha ao mesmo tempo às 19h de terça?". Anote a resposta de cada lugar: ela diz mais sobre o seu resultado que a lista de equipamentos.
Fontes

1. Gentil, P.; Bottaro, M. Influence of Supervision Ratio on Muscle Adaptations to Resistance Training in Nontrained Subjects. Journal of Strength and Conditioning Research, 2010; 24(3). https://journals.lww.com/nsca-jscr/Fulltext/2010/03000/Influence_of_Supervision_Ratio_on_Muscle.7.aspx
2. Fisher, J. P. et al. The Role of Supervision in Resistance Training; an Exploratory Systematic Review and Meta-Analysis. International Journal of Strength and Conditioning, 2022. https://journal.iusca.org/index.php/Journal/article/view/101
3. Mazzetti, S. A. et al. The influence of direct supervision of resistance training on strength performance. Medicine and Science in Sports and Exercise, 2000; 32(6):1175-1184. https://www.researchgate.net/publication/12455348_The_influence_of_direct_supervision_of_resistance_training_on_strength_performance
4. Weatherwax, R. M.; Nelson, M. C.; Dalleck, L. C. The Impact of Personalized versus Standardized Cardiorespiratory and Muscular Training on Health-Related Outcomes and Rate of Responders. Journal of Sports Science and Medicine, 2024. https://www.jssm.org/jssm-23-209.xml
5. Kritz, M. et al. Individual versus group-based interventions. Nature Human Behaviour, 15/04/2026. https://www.nature.com/articles/s41562-026-02429-0
6. da Silva, C. E. R. et al. Dropout in supervised small-group exercise programs: a 7-year retrospective cohort study. Frontiers in Public Health, 2026. https://www.frontiersin.org/journals/public-health/articles/10.3389/fpubh.2026.1710202/full
7. IBGE/CONCLA. CNAE 9313-1/00 — Atividades de condicionamento físico. https://cnae.ibge.gov.br/?view=subclasse&tipo=cnae&versao=10&subclasse=9313100
8. CONFEF. Resolução nº 477/2023. https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=487286


Autor: Fabio Oliveira Santos, General Manager da Trend The Wellness Club — CREF 122288-G/SP
Especialista em Fisiologia Aplicada à Clínica e ao Treinamento Desportivo. Responsável técnico pela metodologia e pelos programas de aula da Trend e pela supervisão de todos os Personal Trainers do time. Atende clientes nas unidades da Ponta da Praia e do Gonzaga, em Santos.