Treino de 45 minutos funciona? Duração ou qualidade

Sessões de 45 minutos bem montadas cobrem o que a evidência pede. Veja a conta do tempo, o que cortar sem perder resultado e o que não pode faltar.

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10/23/20265 min read

Personal organizando sequência de exercícios de cliente em estúdio de Personal Compartilhado em Sant
Personal organizando sequência de exercícios de cliente em estúdio de Personal Compartilhado em Sant
Funciona, o que decide o resultado de um treino é o que acontece dentro dele, não o relógio. A revisão de Iversen, Norum, Schoenfeld e Fimland na Sports Medicine (2021), dedicada a programas eficientes em tempo, recomenda um piso de 4 séries semanais por grupo muscular, e mostra que técnicas de organização da sessão praticamente cortam o tempo de treino pela metade sem reduzir o volume. Uma sessão de 45 minutos bem montada cobre isso com folga, o que não funciona é sessão de qualquer duração sem estrutura.

O que faz um treino dar resultado: tempo ou conteúdo?

Conteúdo e a unidade de medida certa não é minuto, é série. A literatura de treino de força trabalha com volume semanal: quantas séries cada grupo muscular recebe na semana. A revisão de Iversen e colegas (2021) recomenda, para quem tem pouco tempo, o mínimo de 4 séries semanais por grupo muscular, em cargas na faixa de 6 a 15 repetições máximas, repetições máximas (RM) é o número de repetições que se consegue executar com determinada carga.
Olhando por essa régua, a pergunta "quanto tempo devo treinar?" muda de forma: se as séries que importam couberam na sessão, a sessão cumpriu o papel. O relógio mede a permanência; a série mede o estímulo. É a diferença entre tempo no escritório e trabalho entregue.

Dá para treinar bem em 45 minutos?

Dá, cortando o que não contribui e organizando o que contribui. A mesma revisão de Iversen (2021) lista as escolhas que enxugam a sessão sem enxugar o resultado:
  1. Aquecimento específico do exercício, em vez de rituais longos: a recomendação dos autores é restringir o aquecimento ao próprio movimento que será treinado, com carga leve.
  2. Alongamento só se o objetivo for flexibilidade — para força e ganho de músculo, os autores indicam não gastar a sessão com ele.
  3. Exercícios que trabalham vários grupos ao mesmo tempo, cobrindo mais músculos por série.
  4. Técnicas de organização — como superséries, em que dois exercícios são feitos em sequência sem descanso entre eles: segundo a revisão, técnicas assim aproximadamente dividem o tempo de treino por dois, mantendo o volume. Os próprios autores ressalvam que elas servem mais ao ganho de músculo que ao de força máxima.
O que sobra quando se corta o supérfluo é um treino denso: chegar, aquecer no próprio exercício, executar as séries que importam com atenção, sair.

45 minutos contam para a meta das diretrizes?

Contam, e a aritmética é simples. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (2020) recomendam 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbia moderada, mais fortalecimento muscular 2 ou mais vezes por semana. Três sessões de 45 minutos somam 135 minutos de prática estruturada, perto do piso aeróbio, e cobrem com folga a frequência de fortalecimento.
E os resultados medidos em pesquisa não vieram de maratonas: na meta-análise de Wewege e colegas na Sports Medicine (2022), com 54 estudos e 3.058 participantes, o treino de força reduziu gordura corporal em programas com média de 2,7 sessões semanais. Sessões regulares e finitas, não sessões heroicas.

Treino mais longo é treino melhor?

Não necessariamente. A partir de certo ponto, minutos a mais viram volume vazio. Sessão longa demais costuma significar descanso desatento, exercícios redundantes e queda de concentração na execução. Densidade vence duração: mais estímulo por minuto, não mais minutos.
Há ainda o efeito colateral silencioso da sessão longa: ela quebra a agenda. O treino de uma hora e meia é ótimo até a semana em que não cabe, e aí vira treino nenhum. A sessão de 45 minutos que se repete o ano inteiro constrói mais que a sessão perfeita que acontece de vez em quando. Frequência e duração são as duas metades da mesma pergunta: "isso cabe na minha vida?".

A visão da Trend

"Eu não tenho tempo de treinar" é, na nossa recepção em Santos, a objeção mais ouvida e quase sempre significa "não tenho uma hora e meia". Quando a pessoa descobre que uma sessão estruturada cabe em 45 minutos ou uma hora, a barreira cai. O que mais vemos: executivos e profissionais de agenda cheia que sustentam 2 ou 3 sessões semanais há anos, porque a sessão tem hora para começar e para acabar.
No Personal Training Compartilhado, com até 4 clientes por Personal, a sessão já chega montada: o programa é individual, a carga está separada e o Personal conduz a sequência, o tempo todo é tempo de treino. Se a sua agenda é o obstáculo, agende uma aula experimental e cronometre.

Perguntas frequentes

Treino de 30 minutos também funciona?

Pode funcionar, dependendo do que couber nele: o piso recomendado por Iversen e colegas (2021) para quem tem pouco tempo é de 4 séries semanais por grupo muscular, que podem ser distribuídas em sessões curtas. Menos tempo exige mais estrutura: com 30 minutos, cada escolha de exercício pesa mais.
Preciso de 1 hora de musculação por dia?

Não. A evidência não fixa duração de sessão; trabalha com volume semanal por grupo muscular e frequência. As diretrizes da OMS (2020) pedem fortalecimento 2 ou mais vezes por semana, e os programas que reduziram gordura nos estudos de Wewege (2022) tinham média de 2,7 sessões semanais.
Supersérie não atrapalha o resultado?

Para ganho de músculo, a revisão de Iversen (2021) indica que técnicas como a supersérie mantêm o volume em cerca de metade do tempo. A ressalva dos autores: para força máxima, o treino tradicional com descansos completos segue preferível. O objetivo define a ferramenta.
Cardio no mesmo dia do treino de força conta?

Conta para a meta aeróbia da OMS, os 150 a 300 minutos semanais são somáveis ao fortalecimento. Quem tem pouco tempo pode concentrar a força na sessão e completar o aeróbio fora dela: caminhada na orla, bicicleta no trajeto, escada no prédio.

Por onde começar hoje

Pegue o seu treino atual e faça a conta de séries por grupo muscular na semana, se não souber contar, essa é a primeira pergunta para levar a uma avaliação. Depois, cronometre uma sessão: quanto do tempo foi estímulo e quanto foi espera? Antes de adicionar minutos ao treino, adicione estrutura aos minutos que você já tem.

Autor: Fabio Oliveira Santos, General Manager da Trend The Wellness Club — CREF 122288-G/SP Especialista em Fisiologia Aplicada à Clínica e ao Treinamento Desportivo. Responsável técnico pela metodologia e pelos programas de aula da Trend e pela supervisão de todos os Personal Trainers do time. Atende clientes nas unidades da Ponta da Praia e do Gonzaga, em Santos.

Fontes
  1. Iversen, V. M.; Norum, M.; Schoenfeld, B. J.; Fimland, M. S. No Time to Lift? Designing Time-Efficient Training Programs for Strength and Hypertrophy: A Narrative Review. Sports Medicine, 2021; 51(10):2079-2095. DOI 10.1007/s40279-021-01490-1. https://link.springer.com/article/10.1007/s40279-021-01490-1
  2. Organização Mundial da Saúde. WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour, 2020. https://www.who.int/publications/i/item/9789240015128
  3. Wewege, M. A. et al. The Effect of Resistance Training in Healthy Adults on Body Fat Percentage, Fat Mass and Visceral Fat: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports Medicine, 2022; 52:287-300. DOI 10.1007/s40279-021-01562-2. https://link.springer.com/article/10.1007/s40279-021-01562-2
  4. Schoenfeld, B. J.; Ogborn, D.; Krieger, J. W. Effects of Resistance Training Frequency on Measures of Muscle Hypertrophy: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports Medicine, 2016; 46:1689-1697. DOI 10.1007/s40279-016-0543-8. https://link.springer.com/article/10.1007/s40279-016-0543-8